quarta-feira, 28 de setembro de 2016






Uma jarra trincada
Pode virar um jarro
Enfeitar um cantinho

E um coração trincado?
E uma vida despedaçada?


Há quem saiba enfeitar corações
Com palavras amenas
Com sorrisos macios
Com abraços apertados

terça-feira, 27 de setembro de 2016





Hoje li blogs. Vários estão atualizados. Não comentei. Faltam palavras. Não, não é bem isto. Faltou disposição de arrumar as palavras. Pensei em dizer: li. Mas era pouco. Não é feito o facebook que você pode clicar em - curti. Está época do, curti, das carinhas e corações, está me desabituando de pensar, de refletir, de dizer alguma coisa. De expor sentimentos. Antigamente nos blogs diziam que eu era visceral. Ser visceral nem sempre foi bom. Não foi comigo. Agora estou tão igual. Tão rasa de intensidade. Sinto falta da época das leituras dos blogs, saudade de escrever meus devaneios. Parece até que nem tenho mais devaneios, nem pensamentos, nem fotos. Deixamos de ter interação neste espaço que já foi muito bom. Era um lugar de vidas pulsando. De sonhos expostos e sendo realizados. Vontade de conhecer pessoas. Vários blogs atualizados. E eu precisando me atualizar de palavras e sentimentos. Sinto saudade de mim pulsando palavras. Palavras que pulavam de mim, que escorriam dos poros, só por imaginar. A realidade não dá brechas para imaginar. A realidade é. Ponto final.

terça-feira, 26 de julho de 2016





Senti saudades dos velhos tempos. Do trote do cavalo na estrada. Da porteira rangindo a cada amanhecer. Faz tanto tempo. O coração ainda o mesmo, preenchido de carinho e sonhos. Em cada canto da estrada flores. No olhar o sol nascendo. Na pele o arrepio da brisa de fim de tarde. Faz tempo.  A saudade ainda a permear os sonhos. Os sonhos ainda visitando a saudade. O teu sorriso vestido de azul. As mãos em reflexão. O meu olhar a te despir. Apenas a estrada de barro, longa. A poeira a gritar, lembrando o tempo que não volta. Saudade.

terça-feira, 19 de julho de 2016





Sinto falta de brincar com as palavras. Palavras cheias de pensamentos, sonhos e desejos. Palavras que encontravam no azul do céu, um mar para mergulhar saudade, solidão e sorriso. Sorriso de te encontrar em passeios. Estrada nunca retilínea. Viagens. Viagens, muitas viagens. Viagens do sentir imaginações. 


Saudade de escrever.

sábado, 13 de fevereiro de 2016






Comprei uma bicicleta, cansei de te amar. Desisti de pedalar imaginações. O asfalto me levará. Ruas ,avenidas, o cinza do chão, as sinalizações. No amor rompi o tempo, atropelei o certo. Errei. Errei por minha culpa, minha tão grande culpa. Passei a marcha errada. Subi quando era para descer. Acelerei na descida. Sem freios morri e matei. Teu sorriso ficou estampado em sangue nas minhas mãos. Vou pedalando a vida.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015




Fecho os olhos e vejo imagens. Tento desenhar. Que horror. Não sei desenhar. 
Que importa. Fecho os olhos. Desenhar não faz parte do meu viver. Sonhar sim.




domingo, 8 de novembro de 2015



Rasgo papeis onde estavam escritos sentimentos. Alguns sentimentos não se rasgam. Outros, ao ler o que estava escrito, percebo que o tempo os modificou. O tempo se encarregou de apagar. De rasgar. De jogar em algum lugar onde ficam sem colorido. Tudo passa, dizem. É uma verdade. Ou não. Sentimentos que me fizeram conhecer pessoas. Atravessar céus e mares. Sentimentos que me fizeram escrever. Chorar e sorrir. Sentimentos bons, sentimentos ruins. Alegria e tristeza. Sentimentos que estavam em folhas de papel. Agora rasgados. Outros foram para arquivos do computador. Alguns, luto para lembrar como foram importantes para mim. Para não deixar apagá-los com o tempo. Luto. Luto. Sentido duplo de sentimentos. Morte e vida. Luto. Luto.

sábado, 10 de outubro de 2015



Ah, por que não posso te abraçar?
Suplicante, suplicava
Aos céus
Ao vento, ao léu
Para a tela onde se delineava
O desejo, a pulsão

Depois do abraço
Outros desejos virão
Pensou
Sabia
Sentia

Andar pelo cais
O vento no rosto
O café no botequim
A biblioteca por olhar

Não, ah, não
Tantos impedimentos
Tantos vãos
Tantos céus
Tantos santos
Tantos chãos

Que dor
Quantas distâncias
Duas vidas
Planetas  diferentes
Tantas órbitas
Para uma só mente

Só mente, se mente
Semente
A arar a mente
A frutificar desejos
E uma vontade crescente

Do abraço
De aço
De abrir
Estradas no coração
Porta, janela
Abrir sorrisos
Falta ação
Falta ação

Falta ação
Para ligar dois sujeitos passivos
A um verbo de ligação
Tempo adverbial de lugar
Lugar qualquer
Na serra, no mar
Tempo adverbial de modo
Modo de abraçar
Sem medo

sexta-feira, 25 de setembro de 2015










Colhi flores para levar para você
Levar um pouco da primavera
Do cheiro do campo
Da ternura das pétalas
Da beleza das cores

Esqueci que você mora longe

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cada vez que revisito o blog, as emoções vão aflorando. Lembro delas, como eram intensas, vivas. Tão vivas, que ao reler o que está no blog, lembro como me sentia, do momento, das vezes que as lágrimas pulavam de mim sem piedade, com jeito de crianças livres, lembro dos muitos sorrisos também e das pessoas que me inspiraram. Foram várias. Escrever me libertava. O blog foi criado para ser um cantinho onde guardar as emoções. Não conseguia guardar em mim tantas emoções. Eram muitas e especias. Tinham histórias e se tornaram histórias.  Não queria deixar apenas nos papeis ou no arquivo do computador. 

Com o tempo, pessoas foram chegando, trocas eram feitas, contatos, e mais emoções. Eram chamadas de virtuais. Mas eram reais. Tinham sentimentos. Tinham um olhar diferenciado. Algumas, se tornaram reais. De carne, osso, olhares, conversas, abraços. Conheci vinte blogueiros, alguns familiares e amigos deles. Do Brasil, de Portugal. De vários cantinhos do Brasil. Alguns foram mais ousados e me hospedaram em seus lares. Um casal de Portugal ficou em meu apartamento e viajamos juntos por algumas cidades do nordeste brasileiro, depois me hospedaram em Portugal, me proporcionando dias maravilhoso, e também me levando para conhecer várias cidades daquele  lindo país. Outros conheci pela cam. Descobri o MSN e a câmera. Câmera que tanto aproximava como afastava. A realidade muitas vezes, na maioria da vezes, é diferente da fantasia e da imaginação. Ganhei vários presentes, dos mais belos aos mais inusitados. Pela casa estão lembranças vivas de muitos blogueiros. Até o chocolate que comi, vindo de Portugal, parece que ainda está na minha boca. Cada blogueiro e blogueira que conheci daria para escrever histórias e mais histórias. Dos que não conheci também.

Se escrever me libertava, ler talvez me libertasse mais ainda. Só escrevia, porque lia, porque via algumas fotografias, se me emocionava, a escrita surgia. Até porque o blog foi criado após ler algumas matérias jornalística e ser devastada por tantas lembranças que se transformaram em escritos. Alguns textos poéticos ou poemas me emocionavam profundamente. As fotografias me capturavam por outras lentes da emoção. Não escrevia por ser escritora ou ter tal pretensão, não. As palavras saiam de mim. Na maioria das vezes saiam banhadas em lágrimas, era um processo emotivo interessante, instigante, uma catarse. Voltava a ser criança. Às vezes me sentia uma adolescente apaixonada. Sempre uma adulta sonhadora. Mas esta adulta queria viver o que estava escrito, por ela, pelo outro. Esta adulta queria visitar os lugares que estavam nas fotografias. Era tudo muito intenso. E sendo assim,  para não ficar só no virtual e sem sentido, conheci lugares vistos nas fotografias, conheci alguns autores. Autores das fotos, autores dos textos, autores e atores da emoção. Outros não conheci, fiquei frustrada. Foi uma pena, estive perto, estive na mesma cidade, mas houve desencontros. A vida é assim, feita de encontros e desencontros e alguns esbarrões. Mas aprendi que nem todo encontro é um encontro, e nem todo desencontro é um desencontro. O bom são os encontros que tenho comigo. E foram vários, através da leitura e da escrita. O blog mostra também que tudo tem uma fase. Uma pena que a fase dele passou. Sinto falta.